O efeito, porém, não deve aparecer imediatamente nem na mesma proporção nas taxas oferecidas pelos bancos. Para quem já tem financiamento, a prestação também não cai automaticamente, mas abre espaço para se pensar em renegociação ou até na portabilidade da dívida, conforme especialistas ouvidos pelo InfoMoney.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica em 0,25 ponto percentual já era amplamente esperada pelo mercado, dando sequência às reduções. Porém, a Selic permanece em patamar elevado e há dúvidas sobre os próximos passos do Banco Central.
Para o mercado imobiliário, porém, mais importante do que um corte isolado é a consolidação de um ambiente de juros menores. Isso porque financiamentos de imóveis podem atravessar duas ou três décadas e suas taxas não acompanham mecanicamente cada movimento da Selic. Entram nessa conta o custo de captação dos bancos, as taxas de longo prazo, as expectativas de inflação, o risco da operação e o perfil do cliente.
“Claro que o mercado volta a aquecer, porque juros menores atraem o interesse do comprador, que precisa do financiamento”, disse Charles Kan, especialista em mercado imobiliário e CEO da Construtora CK.
Mais importante, no entanto, é que a queda da Selic sinaliza uma mudança no ambiente de crédito, o que pode fazer com que incorporadoras que estavam postergando projetos voltem a revisar seus cronogramas, segundo Ramiro Delgado, especialista em investimentos e CEO do Trade Imobiliário. “O mercado começa a se preparar para um cenário em que o financiamento fica gradualmente mais acessível, o que pode estimular novos lançamentos e aumentar a oferta de imóveis”, acrescenta.
Para Delgado, o segmento tende a ser um dos primeiros a sentir os efeitos de uma melhora nas condições de crédito justamente por concentrar famílias mais dependentes de financiamento para transformar a intenção de compra em aquisição efetiva. “Neste segmento, uma redução, mesmo que pequena, nas taxas de financiamento pode fazer diferença significativa na capacidade de compra das famílias”, afirma.